Lançada no BCI obra que eterniza memórias e o humor da Zambézia
O Auditório do BCI, em Maputo, acolheu, na quarta-feira (30), o lançamento da obra “Alagúrdia, um Neologismo Simbolizante”, de António Barros e Lo-Chi, que recupera histórias, vivências, expressões e o humor de António Germano Barros, carinhosamente tratado por A. Barros.
A obra reúne narrativas inspiradas no repertório de A. Barros, pai do co-autor António Barros, exímio contador de histórias que, nas suas viagens como motorista pela Zambézia, transformava episódios do quotidiano em histórias marcadas por humor, ironia, criatividade e uma singular capacidade de invenção linguística.
Na abertura da cerimónia, o Presidente do Conselho de Administração (PCA) do BCI, Carlos Agostinho do Rosário, destacou que a obra vai além do lançamento de um livro, representando “o percurso de um homem que palmilhou décadas entre o jornalismo, sobretudo a radiodifusão, e a escrita, transformando vivências, histórias e memórias em palavras”.
No ano em que o BCI celebra 30 anos, o PCA reafirmou a importância que o Banco atribui à cultura e ao conhecimento na construção do País. “Um Banco pode financiar projectos, mas o progresso de uma sociedade requer muito mais. Exige conhecimento, exige criatividade, exige cultura, exige memórias”, afirmou Carlos Agostinho do Rosário. Sublinhou que, ao abrir o seu Auditório à literatura, às artes e a outras formas de expressão, o BCI cria espaço para que as ideias circulem, as histórias permaneçam e o conhecimento seja partilhado.
Na apresentação da obra, Barros dos Santos conduziu os presentes às origens das histórias, descrevendo A. Barros como um contador conhecido em toda a Zambézia. “Este livro não começou numa editora. Começou numa estrada de terra batida, no banco de um velho caminhão Bedford”, afirmou, evocando as viagens durante as quais A. Barros transportava mercadorias e, ao mesmo tempo, levava consigo notícias e histórias que, a cada paragem, conquistavam novos ouvintes.
É também desse universo de criatividade que nasce o título da obra. “Alagúrdia” era uma das palavras inventadas por A. Barros para designar uma situação de fartura ou abundância, integrando um repertório de expressões próprias que conferiam singularidade à sua forma de contar histórias.
Na sua intervenção, o co-autor Lo-Chi revelou que a ideia de registar as histórias de A. Barros remonta à juventude dos dois autores. Mais de cinco décadas depois, o projecto tornou-se livro, concretizando uma intenção antiga e transformando a memória oral numa obra destinada a atravessar gerações.
Visivelmente emocionado, António Barros revelou a dimensão afectiva da obra: “É um livro para eternizar as histórias e a memória do meu pai”. Trinta e cinco anos depois da sua partida, as histórias de A. Barros continuam a circular, algumas delas contadas por pessoas que nunca chegaram a conhecê-lo. É essa memória oral, feita de humor, humanidade, criatividade e identidade, que “Alagúrdia, um Neologismo Simbolizante” procura preservar e transmitir às novas gerações de leitores.
Ao acolher este lançamento, o BCI reforça o seu compromisso com a valorização da literatura, da cultura e do talento moçambicano, reconhecendo na preservação da memória colectiva uma dimensão essencial do desenvolvimento e da construção da identidade do País.